Por que Adi Hütter tem sido um fracasso no Borussia Mönchengladbach? Entenda os motivos

Foto: Reprodução/GettyImages

Depois de viver uma enorme frustração com a saída de Marco Rose, que deixou o Borussia Mönchengladbach para o Dortmund, a expectativa era de que os Potros retomassem aos trilhos com a contratação de Adi Hütter, ao menos essa foi a ideia de Max Eberl ao apontar o técnico suíço como novo comandante do clube, pagando €7,5M ao Eintracht Frankfurt.

Adi Hütter teve ótimos trabalhos anteriormente, em especial no Young Boys ao dar fim a hegemonia do Basel na Suíça. Depois da primeira conquista sob o comando de Hütter, o Young Boys engatou outros três títulos do campeonato nacional sob a tutela de Gerardo Seoane, novo comandante do Bayer Leverkusen. O bom trabalho realizado na Suíça o credenciou a ganhar uma chance no Eintracht Frankfurt, equipe tradicional na Alemanha.

Por lá, Adi teve temporadas razoáveis (7º e 9º nas duas primeiras campanhas) até atingir o melhor nível na temporada passada, 20-21, quando estava próximo de garantir a classificação para à Uefa Champions League. Assim como o Gladbach teve um declínio quando a saída de Rose foi oficializada, o Frankfurt também sofreu, deixando escapar a vaga quase certa na UCL – inclusive sofrendo uma goleada por 4 a 0 do próprio Gladbach, que se mostrava extremamente irregular naquela altura (29ª rodada da Bundesliga 20-21).

Confiante em um sistema ofensivo de muita qualidade, especialmente com a capacidade de assistência de Filip Kostic, o Frankfurt consagrou alguns centroavantes nas últimas temporadas (Jovic, Haller e André Silva, por exemplo), além de outros atletas como Rebic. O problema, no entanto, sempre esteve na capacidade defensiva da equipe dos Eagles – foram 48, 60 e 53 gols sofridos nas três temporadas sob o comando de Adi Hütter – nem sempre o ataque foi capaz de recompensar o desequilíbrio do time.

Assim como no humilhante 6 a 0 diante do Freiburg, no Borussia-Park, Adi Hütter já havia vivido situação similar no comando do Frankfurt, quando também tomou seis gols em 36 minutos (um a menos do que o Borussia) diante do Leverkuse, naquela ocasião, o placar terminou 6 a 1 para os Aspirinas. O técnico vivenciou algumas outras goleadas constrangedoras, dentre elas o 5 a 0 contra o Bayern de Munique na Supercopa da Alemanha no início da temporada 18/19.

Certamente com o melhor ou um dos melhores elencos da história recente do Borussia Mönchengladbach, a expectativa era de que o suíço fosse capaz de realizar um bom trabalho, porém, o cargo do comandante está mais do que ameaçado após 20 jogos disputados – uma vez que os Foals estão de fato na briga contra o rebaixamento. Mas o que levou o clube a chegar a essa situação?

Falta de movimento na janela de transferências

Foto: Reprodução/Imago

O primeiro motivo para o atual momento vivido pelo Borussia foi a falta de movimento na principal janela de transferências do mercado, que ocorre até o final de agosto. Apesar de uma boa aliviada na folha salarial graças as saídas de Wendt, Traoré e Lang, o Borussia não conseguiu atrair nenhum comprador para as principais estrelas da equipe, em especial as que vivem agora os últimos seis meses de contrato com o clube, como Matthias Ginter. O clube ainda conseguiu “se livrar” de Denis Zakaria ao negociar o suíço com a Juventus no último dia da janela do inverno europeu.

Além dos citados, outros jogadores desejam deixar o clube, de acordo com relatos jornalísticos – Marcus Thuram e Alassane Pléa integram essa lista. Thuram, por exemplo, esteve próximo de se juntar a Inter de Milão, todavia sofreu uma lesão grave e o negócio não se concretizou. Desde que voltou de lesão, o atacante francês não marcou.

Ausência dos principais jogadores na pré-temporada

Adi Hütter não teve os principais nomes da equipe a disposição durante a pré-temporada (Foto: Reprodução/Bundesliga)

Querendo ou não, a pré-temporada é parte fundamental e essencial, até mesmo imprescindível para a montagem de uma equipe de futebol, ainda mais para um novo técnico. Devido a presença de boa parte dos atletas na Eurocopa, Adi Hütter não teve tempo de trabalhar com os principais destaques da equipe, que disputaram apenas o último teste da pré-temporada.

A ausência dos principais nomes é um fator preponderante para o trabalho tático de um treinador, que obviamente pretende implementar as ideias de jogo tendo os melhores atletas a disposição, algo que não foi o caso.

Lesões dos principais jogadores

Marcus Thuram não retornou no mesmo nível após a lesão e não parece estar focado no clube (Foto: Reprodução/Transfermarkt)

Direta ou indiretamente ligado a ausência na pré-temporada, os principais nomes do elenco ficaram indisponíveis por boa parte da temporada, principalmente nos primeiros jogos. Diante do Leverkusen, na 2ª rodada, o Gladbach teve que realizar as cinco alterações por causa de lesões – Thuram e Lainer de forma grave, o que afastou a dupla por um bom período.

Outros jogadores importantes também conviveram com algum período significativo no departamento médico, seja por lesão ou covid-19, dentre eles, Denis Zakaria, Bensebaini e Jonas Hofmann.

Confronto com Neuhaus, Thuram e Pléa

Hütter entrou em conflito desnecessário com Neuhaus via imprensa (Foto: Reprodução/Weserkurler)

Desde o início da trajetória no Gladbach, Hütter foi bastante enfático ao definir o desempenho como fator decisivo para a escolha ou não de um atleta – e esse tema foi levantado em relação a Florian Neuhaus, que teve um início de temporada muito ruim.

Um dos destaques das últimas temporadas, Neuhaus chegou a dizer publicamente que se sentiu desamparado pelo clube durante esse período ruim, muito provavelmente pelas declarações de Hütter na imprensa. As arestas foram aparadas e o alemão voltou a ter espaço, inclusive melhorando o desempenho e até anotando alguns gols.

Marcus Thuram e Alassane Pléa passaram por uma situação semelhante, variando entre o banco de reservas e a equipe titular, sempre com desempenhos altamente questionáveis. A opção pelo esquema 3-4-2-1 pode ter influência no baixo desempenho de uma série de atletas, dentre eles, Thuram, que atua preferencialmente pela ponta esquerda, posição que não existe no esquema tático adotado pelo suíço. Outros jogadores tiveram queda abrupta de qualidade, como por exemplo Lars Stindl.

Falta de variação tática e ausência de uma ideia de jogo

Adi Hütter não conseguiu implementar qualquer ideia de jogo na equipe e caso não fosse Yann Sommer, a situação estaria ainda pior (Foto: Reprodução/Imago)

Adi Hütter dispôs a equipe do Borussia Mönchengladbach na maior parte da pré-temporada no 4231, algo que também aconteceu nos três primeiros jogos da Bundesliga. A equipe teve desempenho razoavelmente bom perante o Bayern na estreia, mas fracassou de forma retumbante nas partidas seguidas (derrotas para Leverkusen e Union Berlin por 4-0 e 2-1, respectivamente). Dali em diante, o técnico optou por jogar em uma linha com três zagueiros, esquema preferido por ele no Frankfurt.

O resultado até enganoso contra o Arminia Bielefeld, triunfo por 3 a 1, o fez optar pela manutenção do esquema tático. No jogo seguinte, os Potros apresentaram algo próximo de nada e foram superados pelo Augsburg por 1 a 0, em uma apresentação de “doer os olhos”. A opção pelo esquema parecia mudar de rumo nas duas partidas seguintes, quando o Gladbach superou o Dortmund por 1 a 0 e o Wolfsburg por 3 a 1, talvez na melhor sequência de jogos do comandante até aqui. Além disso, o Gladbach conseguiu uma vitória esmagadora e história contra o Bayern de Munique na Copa da Alemanha, ao golear a equipe bávara por 5 a 0, numa atuação coletiva de gala.

A frustração, no entanto, seguiria sendo rotina – diante de um Stuttgart bem desfalcado pela Covid-19 e com baixo desempenho técnico, o Borussia fracassou novamente e ficou apenas no empate por 1 a 1 no Borussia-Park, com outra exibição de pouquíssimo repertório. O time seguiu nessa montanha russa de resultados e atuações irregulares até o Rheinderby – de forma caótica, o Gladbach foi goleador por 4 a1 pelo arquirrival Köln, porém, o pior ainda estava por vir – atuando no Borussia-Park, os Foals foram humilhados pelo Freiburg, ao sofrer seis gols em 36 minutos de partida, a maioria deles de bola parada. O confronto, que terminou em 6 a 0, ficou marcado como uma das piores derrotas da história do clube, tanto pelo placar quanto pela inércia da equipe em campo.

Os resultados seguintes não foram diferentes – derrotas para RB Leipzig (4-1) e Frankfurt (2-3) agravaram para uma sequência tenebrosa de 17 gols sofridos em apenas quatro partidas. A direção, na face de Max Eberl, seguiu dando apoio a Adi Hütter e de forma até inexplicável, o Glababach superou o Bayern de Munique na Allianz Arena por 2 a 1, mesmo diante de uma equipe bávara totalmente desfigurada pela Covid-10, o resultado foi totalmente surpreendente.

O costumeiro triunfo diante do Bayern serviu apenas como ilusão, pois na semana seguinte, o Borussia Mönchengladbach voltou a apresentar algo constrangedor dentro de campo ao ser amassado pelo Leverkusen dentro de casa – o confronto terminou em 2 a 1, mas os Aspirinas tiveram xG (expected goals, ou gols esperados) próximo de 7, a maior marca na Bundesliga desde que a estatística começou a ser colhida. Além disso, Yann Sommer, em atuação monumental, defendeu duas penalidades e outras nove defesas dentro da pequena área.

Hütter seguiu insistindo com o esquema com três zagueiros, que poderia perfeitamente ser efetivo, no entanto, o técnico mostrou falta de capacidade para implementar qualquer filosofia de jogo – não há pressão alta, ataque pelas alas e até mesmo defendendo em bloco médio ou baixo, o Borussia sofre de forma assustadora, como ocorreu diante do Leverkusen.

Esse era a disposição tática defensiva no Gladbach no segundo gol do Union Berlin (Foto: Reprodução/Tobias Escher)

Agora, na pausa para a data Fifa, o Borussia Mönchengladbach tem apenas três pontos acima da zona do playoff de rebaixamento, tendo vencido apenas um dos últimos oito jogos pela competição, justamente contra o Bayern. A imprensa noticiou que um novo voto de confiança foi dado para Adi Hütter acertar a equipe para os confrontos diante do Arminia Bielefeld e Augsburg, partidas fundamentais contra o rebaixamento. Somente o tempo dirá se a escolha foi acertada, mas até aqui, Adi Hütter se mostrou totalmente incapaz de liderar o Borussia Mönchengladbach.

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